
Um acidente lamentável aconteceu hoje no hospital do Mandaqui, região metropolitana de São Paulo. Uma garotinha de 1 ano de idade teve a ponta do dedo decepada acidentalmente por uma enfermeira, que usou uma tesoura para cortar a gaze que prendia uma mangueira de soro à mãozinha do bebê. Ela foi encaminhada à emergência do hospital paulista para primeiros socorros e passa bem. Está em observação agora.
Uma situação revoltante, muito triste, que denota o óbvio despreparo dos "profissionais" da saúde pública desse nosso querido país. A mobilização da acessoria de imprensa do hospital foi imediata em esclarecer o fato. O Hospital do Mandaqui é uma instituição modelo no caso de urgências médicas. Numa cidade como São Paulo, que tem um acidente de moto toda vez que alguém dá um espirro, uma emergência como essa é de suma importância.
Mas o fato é o seguinte: o dedinho cortado da pobre menina foi manchete como se tivessem sido cortadas as mãos, pés e demais membros da menina e tivessem sido feitos salsichinha deles. Vários jornais On e Off-line noticiaram o fato, estes com as descrições mais pitorescas e contradizíveis que você meu nobre leitor possa imaginar. Mas duas em especial me chamaram grande atenção. A do amador R7.com, site de notícias da Record, e do repórter mais atrapalhado e anti-jornalístico do Brasil, que sá do mundo: José Luiz Datena.
Vamos falar primeiro do R7, esse eu até perdoo, pois são extremamente amadores e queriam muito ser o ao menos organizado globo.com. A manchete está descrita na página (Link: http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/pai-da-crianca-que-teve-dedo-amputado-diz-querer-justica-20110131.html) com uma linguagem aceitável, mas o legal é a frase: "A criança de um ano de idade está traumatizada com o fato." Apelativo, mostra o monstro que essa enfermeira é, que cortou o dedo da menina quase que de propósito. Não é bem assim.
Não consigo imaginar como pode um bebê de um ano, que nem deve saber andar ainda, ficar "traumatizado". Os pais estão. A família está. O hospital, a população está. Mas a menina está agora em uma maca, dormindo sem sedativos. Fica clara a apelação para o lado emocional do leitor, que revoltado vai acompanhar a manchete pelo site garantindo bons acessos. Boa jogada não? Não.
Mas pra piorar, existem piores. Como não podia deixar de ser "a notícia ao vivo" do Brasil Urgente e seu intrépido apresentador Datena expressou toda a revolta popular a respeito do caso ao pé da letra, colocando a voz popular em alto e bom som pelo paladino da justiça de 144kg, que adora chamar alguém de canalha.
Durante a manchate, Datena fez as costumeiras praguejações contra a enfermeira, contra o hospital, falou, falou e acabou dizendo o que todo mundo já sabe de cor: o mantra "O problema começa em Brasília". Mas o mais interessante ainda está por vir.
Foi veiculada durante o Brasil Urgente, no melhor estilo "Vale a pena ver de novo" uma gravação de uma entrevista exibida no programa da rádio Band que é comandado por Datena, o Manhã Bandeirantes, só audível em Sampa. O trecho mostrava uma ligação feita ao vivo com a diretora do hospital corta-dedos, e foi mais ou menos assim:
Datena: -"Estamos na linha com a diretora do Mandaqui, a Sra. Fulana, bom dia senhora fulana!"
Ao que a Diretora respondeu cordialmente: "-Bom dia Datena"
Datena prossegue: "-Doutora a senhora sabe que serão tomadas duras providências acerca desse erro treeeeeeemendo que foi cometido, etc, etc, etc, não sabe?"
A diretora: "-Sim Datena, elas já foram tomadas, a instituição abriu sindicâncias pra averiguar esse triste acidente, em que a porção superior do dedo mínimo da criança foi acidentalmente..."
Nesse momento a fúria postiça de 144kg de Datena foi disparada vigorosamente. Ele usou algo que ainda não o tinha visto usar, o oportunismo para acusar alguém que todos pensam ser culpado, mesmo que não seja de alguma coisa. Isso é para que se afirme como "comunicador forte" e garantir audiência. Afinal ele tem que fazer jus ao salário que ganha da emissora do Cine Band Privé. Interrompeu a médica aos berros dizendo:
"-Olha doutora, a senhora me desculpe mas não venha diminuir o peso dessa PALHAÇADA cometida por essa CANALHA dessa enfermeira. Porque isso se fosse com um neto meu eu quebrava esse hospital no meio! Eu batia em todo mundo! Porque quem escuta meus programas sabe que eu sou um cara grosso, bruto e sistemático! Que história é essa de "dedinho"? Dedinho é o cacete! Podia ser uma unha! Isso é um absurdo etc, etc, etc" (perceberam quantas vezes eu usei ETECÉTARA para falar de Datena?)
A médica, serena e firme explicou a situação sem deixar sombra de dúvidas que o hospital tinha ciência de sua responsabilidade, que ia encaminhar a garota aos devidos médicos para que não restassem traumas. Mostrou porque está no cargo que ocupa, diretora de um dos hospitais públicos mais organizados e movimentados de São Paulo, e que foi tema recentemente e por uma feliz coincidência, de um dos programas da Band: o Emergência 24 Horas, que enalteceu as qualidades do hospital como um dos mais organizados em matéria de urgência.
E veio mais uma demonstração de falta de jeito de Datena para com o jornalismo: se contradisse ao vivo. Após a explanação da diretora ele entrou mais uma vez triunfalmente na conversa e soltou essa:
"-Eu não estou aqui doutora, (longa pausa) para de alguma maneira denegrir a imagem do trabalho da senhora. Mas a administração de saúde desse país é uma PORRRRCARIA"
Dããã. Ele esqueceu que a entrevistada, (ou agredida, sei lá), É administradora de um hospital público, e dos bons! Tudo isso para que? Para se alto promulgar um cara "grosso, bruto e sistemático"! Isso para mim evidencia a falta de tino jornalístico desse matuto que fala "Currrrrva" e "Goverrrrrno" e que chama o Cmte. Hamilton só de Hamilton, porque pensa que a patente dele de âncora afundado é mais alta.
Eu não sei qual é o problema dele, talvez um desejo inevitável de imitar Alborghetti (se não conhece Alborghetti veja o vídeo nesse link, vale a pena!), talvez seja pressão da Band para que ele seja assim, talvez ele seja mesmo mal jornalista... O que eu sei é que a campanha "Cala Boca Galvão!" devia mudar, já que Galvão narra tudo com uma monotonia quase técnica, fala tão pouco ao meu ver, que por mim ele pode continuar falando. Vamos mandar a # no twitter pra alguém que realmente fala demais: #CalaBocaDatena! Obrigado e até amanhã!
KELVIN
Gente desculpem o link do vídeo de Alborguetti não saiu, ele está aqui ó: http://www.youtube.com/watch?v=0t78Gq9Hqf4
ResponderExcluirKelvin, anta!
ResponderExcluir'que sá' é quiçá, uma palavra só
:P
auhauhauhauh To ligado Arthur! Valeu a tapa na cara!
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